Sunday, September 23, 2007

páginas enfeitiçadas

Montjuic - 2000

Na infância lembro-me ter recebido um livro, presente da minha mãe, deveria ter uns sete, oito anos, já naquela altura vivia as histórias dos livros que lia com a mesma magia que hoje vivo, nesse livro, A Espada do Rei Afonso, por Alice Vieira, pude voltar atrás no tempo e ao virar da primeira página já me imaginava ao lado do Afonso Henriques, montada num cavalo castanho combatendo por terras mouras, hoje ao escrever estas palavras, voltei a ele, voltei ao palácio da minha memória!
Aprendi o gosto por livros, pelo que eles contam em silêncio, fazendo a minha imaginação voar... O último livro que li, também ele um presente, contou-me que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho até ao coração. Aquelas primeiras imagens, o eco dessas palavras que julgamos ter deixado para trás, acompanham-nos toda a vida e esculpem um palácio na nossa memória ao qual regressamos onde quer que seja, através de páginas enfeitiçadas, que contam histórias que logo adoptamos como nossas, acabam sempre por se assemelhar a qualquer coisa que já tenhamos vivido... uma amizade perdida, uma amor não ultrapassado, ou, se calhar a qualquer coisa que gostassemos de viver, um amor igual ao de Daniel Sempere e Bea Aldaya, por exemplo! Os livros encerram conhecimento e expressões, e este livro ensinou-me que os livros tem alma, a alma de quem os escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espirito cresce e torna-se forte. Com tudo isto, descobri que nem sempre somos nós que escolhemos o livro que queremos lêr, acredito que às vezes, como que por magia, há livros que nos escolhem, com A Sombra do Vento, aprendi que os livros são espelhos: só se vê neles o que a pessoa tem dentro.

2 comments:

cuca said...

amiga... eu sabia que tu não ias ficar indiferente ao maravilhoso A SOMBRA DO VENTO. eu sabia, afinal, apesar dos anos que por nós passaram, eu ainda te conhecço. beijos

Sandra said...

:) muito bonitas estas tuas palavras... gostei muito, e fez-me voar ao passado ao primeiro grande livro que me tocou na alma. Um beijo